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Cores: furta-cor, que tom é esse?

 

 

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Numa ‘dança’ de feixes luminosos, a natureza exibe o efeito furta-cor quando o camaleão muda de tonalidade, quando uma minúscula gota de orvalho reflete todo o espectro do arco íris, ou quando um cristal multifacetado decompõe a luz do Sol em brilhos variados. Sempre em transformação, essas coreografias de movimentos coloridos e transitórios atendem pelo nome de furta-cor.

Falando novamente de cores, muitos já observaram mas pouco se sabe sobre a ‘cor’ conhecida como furta-cor, que na realidade não é uma cor, mas sim, o efeito óptico de interferência luminosa que resulta numa coleção de cores metálicas, variáveis, de acordo com o ângulo de observação.

Esse efeito óptico, também chamado iridescente, é encontrado nos reinos vegetal, animal e mineral. Ele é bem nítido em algumas pedras brutas como as micas, a labradorita – conhecida como ‘pedra do sol’ e ‘pedra das estrelas’ – na opala, opalina, malaquita, que são de cores diferentes, mas todas com natural iridescência…e as lapidadas, sejam diamantes ou cristais. O furta-cor, ainda está presente nas escamas de certos peixes e serpentes, nas penas de pavões, faisões, beija flores entre várias aves, algumas espécies de borboletas e outros insetos como os besouros, ou no chão molhado com poças de gasolina. Fala-se também dos olhos que mudam de cor de acordo com o dia e luminosidade, que vão dos vários tons de verde aos azuis.

Quando a luz bate em materiais reflexivos, provoca o extasiante efeito furta-cor. Fugaz e efêmero, é um efeito que captura o olhar. Essa mistura de cores surge graças ao movimento dos raios solares sobre materiais reflexivos, dando um toque inusitado a alguns materiais, e até na composição de ambientes.

A natureza é que inspira a elaboração de objetos e materiais reflexivos para reproduzir em casa as sensações de bem estar criadas por essa orquestra de luz em ação. É o caso das conchas nacaradas, que servem para enfeitar aquele cantinho especial ou em formatos diversos como caixinhas que guardam pequenas preciosidades, os cristais e drusas de cristais naturais que compõe e energizam diversos ambientes, e os cristais pendurados próximos a janelas, ao bater a luz natural trazem esse efeito multicolorido ao ambiente…aos papeis de presente e materiais escolares com brilhos holográficos, bolas de sabão que as crianças amam brincar, o glitter, presente em muitos produtos inclusive de beleza como esmaltes e maquiagem, os cds entre outros artigos, e as sedas luminosas de tons mutantes usadas na decoração e roupas. O mar fez a concha de abalone naturalmente multicolorida, e o homem a reproduz em algumas peças finíssimas de porcelana e de seda, que mesclam e refletem muitos tons.

A seda pura também tem iridescência e brilho próprio, por isso é mais adequada para receber o tratamento que confere o efeito furta-cor aos tecidos: se colocarmos um fio vermelho na urdidura e outro amarelo na trama, tem-se como resultado o laranja. Mas, ao contrário dos tecidos de algodão, que são compactos e uniformes, a seda ao ser movimentada, e de acordo com a luminosidade, vai destacar o amarelo, o vermelho ou o laranja, sempre dependendo da exposição e tipo de luz, e é assim que se cria a ilusão óptica em que duas ou mais cores se ‘roubam’, se fundem, se confundem e se evidenciam. Vermelho ou amarelo, verde ou azul, seja qual for a tonalidade do tecido, ele só será furta-cor se for mutável, ou como costumam dizer os designers, ‘changeant’.

Zelia Madureira.

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